nome: sistemas híbridos - soluções de mobilidade nas culturas contemporâneas
ano: 2003
projecto: dissertação de mestrado - sistema híbrido de transporte
autor: Plácido Afonso
jurí:
Doutor António Torres Marques, Professor Catedrático da FEUP - Presidente
Doutor Fernando José Silva e Nunes da Silva, Professor Catedrático do IST-UTL - Arguente
Mestre Guido Giangregorio, Assistente da Escola Superior de Artes e Design - Orientador

classificação final:
muito bom

A presente tese configura-se antes de mais como reflexão crítica sobre o papel do designer na sociedade contemporânea. As novas características da cultura material atribuem responsabilidades acrescidas ao design, legitimando não apenas o tradicional empenho na construção do projecto, mas também uma participação activa na elaboração do programa. Ao mesmo tempo, o design deve estimular o diálogo entre, por um lado, a inovação científica e tecnológica e, por outro, a síntese cultural, matriz da semantização e da identidade dos produtos. O designer deve hoje empenhar-se também na superação do protagonismo da dimensão formal do produto (sujeita cada vez mais aos imperativos do marketing), para concentrar a sua atenção sobre os aspectos não visíveis do projecto, no aprofundamento das necessidades determinadas pela lógica de uso, como de resto demonstra a emergência do conceito de «interface». Todavia, tais preocupações podem ser devidamente aprofundadas somente enquadrando a tese no debate cultural contemporâneo. Neste sentido, torna-se essencial a reflexão sobre a relação do design com o «projecto moderno» e com os seus instrumentos operativos. Contemporaneamente, para evitar o carácter abstracto de uma reflexão apenas teórica, introduziu-se a elaboração de uma proposta de um novo sistema híbrido de transporte que foi estudado não apenas testando a sua viabilidade técnica e económica, mas sobretudo aprofundando a sua consistência em termos culturais e sociais. Desta forma, a elaboração da proposta compreende a definição de um sistema viário único, coerente e integrado, onde os veículos híbridos (públicos ou privados) permitem aos seus utilizadores desfrutar mais convenientemente da generalidade das vias terrestres. Este novo diálogo entre diferentes aspectos (as características das duas infra-estruturas, as necessidades individuais e colectivas) permite finalmente o «armistício» entre as estradas e o caminho-de-ferro. Adoptando, adaptando e reestruturando os modelos actuais, permite-se a máxima rentabilização do espaço e do tempo (actualmente sub-aproveitados no caminho-de-ferro), contribui-se para a redução dos custos externos, aumenta-se a esperança de vida e, enfim, promove-se o bem-estar ecológico. O transporte individual e colectivo devem necessariamente encontrar um novo equilíbrio capaz de preservar as exigências da sustentabilidade e as necessidades de natureza cultural. A intermodalidade - flexibilidade e complementaridade de respostas, a hibridez de soluções e a capacidade de harmonização determinarão a operatividade dos sistemas, assim como o comfort e a satisfação do utilizador.

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